Usei meus cachos pela 1ª vez no Natal: me ofenderam tanto que desabei de chorar

"Eu amava meus cabelos lisos e não pensava em fazer transição. Mas minha cunhada começou a dela e eu acompanhei em todas as fases: colocar tranças, cortar, comprar cremes… Fui vendo a evolução no cabelo dela e fui me imaginando com os cachos, pesquisei bastante e pensei muito antes de começar porque sou uma pessoa extremamente sensível a comentários ofensivos. Esperei quase um ano pra começar, queria estar pronta emocionalmente pra fazer. Depois de um ano que comecei a pensar em fazer, realmente comecei. Durante esse um ano não me achava mais bonita: minha auto estima estava baixa, o cabelo vivia amarrado, já não me sentia mais eu... Pensei por um tempo que eram os hormônios da gravidez, mas não, eu queria os meus cachos, não me sentia mais linda como antes.

No Natal estava hiper desanimada, não queria fazer escova, mas meu cabelo ainda não estava cacheado totalmente. Uma prima minha me indicou o grupo das cacheadas e, quando entrei, vi alguns relatos sobre esse assunto, não sabia qual das texturizações ia ficar boa no meu tipo de cabelo, então fui tentando uma por uma até chegar na que eu fiz - que é a de coquinhos. Amei o resultado! Deu muito trabalho pra fazer porque sou toda desajeitada. Passei dois dias com eles na cabeça, dói um pouco no começo, mas valeu muito a pena quando eu soltei os coquinhos. Quando soltei todos e finalizei fiquei uns 5 minutos em frente ao espelho olhando pro meu cabelo, não acreditava que era meu: aquele volume todo como sempre quis, os cachinhos perfeitos. Foi amor à primeira vista. Antes de ir pra casa da minha sogra fui na casa da minha mãe e nossa, não sei quem estava mais feliz pelo meu cabelo, ela ou eu! Tiramos umas 3000 fotos juntas (ela também é cacheada) e ela ficava olhando e dizia " Nossa filha, você tá linda, tá a minha cara agora!". Amei amei amei demais o resultado.

Quando apareci com o cabelo cacheado, peguei todo mundo de surpresa: ninguém sabia que eu estava em transição, só eu e meu marido. Quando minha cunhada chegou (ela não estava lá quando cheguei), ela me olhou com cara de surpresa, não disse nada e foi se arrumar pro Natal. Assim que ela saiu do banheiro com o cabelo finalizado, ela olhou pra mim e disse " Isso aqui que é um cabelo, não essa bosta toda amassada”. Toda a família do meu marido estava lá menos ele. Eu fingi que aquilo não me magoou e ri. Todo mundo estava olhando pra mim e rindo do meu cabelo.

Durante a noite me falaram várias coisas (que era pra eu prender a juba pra não cair cabelo na comida, que eu estava igual a um poodle). Eu só fingia que não era comigo e ria. Aí meu filho de três anos pediu pra ir ao banheiro. Uma parte da janelinha do banheiro é virada para a cozinha, então tudo que se fala lá dá para escutar. Enquanto meu filho usava o banheiro, minhas duas cunhadas, os namorados delas e minha sogra falavam de mim e do meu cabelo. Minha cunhada que não falo muito falou: "Nossa o cabelo da V.S. tá ridículo!". A que eu ajudei na transição falou “Ela tá com recalque do meu cabelo, viu que o meu ficou bonito e quer copiar, mas tá uma bosta, tá parecendo um cachorro". Aí minha sogra disse: “Ela tá com inveja e tá feio ainda por cima, meu filho merecia uma mulher mais bonita".

Já no banheiro a primeira lágrima escorreu, me aguentei muito mesmo pra não chorar e levei meu filho até o pai que estava na sala. Passei por eles na cozinha e disse que ia fumar lá em cima, mas antes que eu chegasse na porta as lágrimas já escorriam, não consegui me controlar, chorei muito por cada palavra que ouvi, não entendia o porquê de tanto desprezo só por causa do meu cabelo. Aquilo foi um banho de água fria pra mim, amarrei meu cabelo com tanta tristeza, tanto ódio, retoquei a maquiagem e desci pra acabar com aquela palhaçada de uma vez. Mas quando cheguei lá embaixo, vi meu marido feliz e não queria estragar o Natal pra ele.

Agora estou ainda mais disposta a continuar, sei que centenas de mulheres já passaram por isso e superaram, que estão dispostas a me dar uma palavra de conforto quando for necessário. Quero continuar essa batalha, quero vencer, quero minha juba de leão maior e mais cheia a cada dia."

V.S. (A entrevistada que nos mandou o relato preferiu não se identificar)

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Publicado por: Isabel Moraes

Publicado em: Quarta-feira 03 de janeiro de 2018 - 15h18

Tags relacionadas: #RolouComigo
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