Minha mãe teve uma crise de choro quando cortei meu cabelo pra deixar natural

“Eu comecei a relaxar o cabelo quando tinha sete anos de idade porque era muito zoada na escola por ter o cabelo mais volumoso do que o das outras meninas. Eu me sentia feia e implorei pra minha mãe que fizesse o relaxamento. Ela me atendeu, mas com o passar do tempo isso acabou virando uma obrigação constante. Eu me sentia extremamente incomodada se a minha raiz aparecesse um milímetro que fosse e, por isso, comecei a relaxar o cabelo todo mês. Isso gerou muita quebra e ressecamento e eu não conseguia mais sair na rua sem escova e chapinha.

Entre as pessoas que eu conheço, a minha prima foi a primeira a fazer a transição capilar e o BC. Eu nem conhecia o conceito, mas quando vi a alegria dela comecei a pesquisar sobre o assunto em sites, blogs e canais no YouTube. Tentei uma vez, mas não consegui lidar com os comentários das pessoas, inclusive os da minha mãe que é adepta dos relaxamentos e acabei voltando pra química. Até que no ano passado eu decidi passar pela transição porque não aguentava mais meu cabelo detonado, sem crescer por causa das quebras que os danos causavam. Também não aguentava mais ter que correr da chuva: isso era o meu terror, meu cabelo sentia as primeiras gotas e já se arrepiava. Eu precisava me libertar de tudo o que dizia, na minha mente, que meu cabelo não era bonito. Meu psicológico se fortaleceu e eu decidi abraçar meu objetivo: ter meu cabelo saudável e aceitar minha jubinha linda.

  • Houve uma época em que a Vivi teve que fazer um corte pra disfarçar as pontas e o ressecamento dos relaxamentos

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  • Ela contou pra gente que essa é uma das poucas fotos que existem dela sem escova na época do relaxamento: se liga na raiz esticada!

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  • Depois de uns 11 meses de transição, a Vivi era OUTRA PESSOA

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  • E aqui tá o LACRE do pós BC: nada como se sentir maravilhosa do jeito que a gente é, né não?

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Minha mãe e eu sempre fomos melhores amigas. Temos nossos desentendimentos, mas no geral somos BFFs. Mesmo assim, quando eu contei que estava pensando em abandonar as químicas, ela falou que eu não estava batendo bem das ideias e não ficou nem um pouco contente. Lembro que ela fez cara de brava e disse: 'Pra que isso, minha filha? Seu cabelo tá bom assim e logo a moda passa e você vai ter sofrido à toa!'. Mesmo assim, eu quis continuar. A intenção era deixar o cabelo crescer e ir cortando aos poucos pra não sentir o choque do BC, mas de uma hora pra outra eu decidi cortar e acabar com isso de uma vez.

Eu estava na casa da minha avó com umas cinco ou seis tias, minha mãe, meu namorado e todos os meus primos e, do nada, disse: 'traga a tesoura porque É HOJE!'. De todas as pessoas que estavam lá, a única que teve coragem de me ajudar foi a tia que também estava em transição (todas as outras usam química). No momento em que começamos a cortar, pedi pro meu namorado filmar pra fazer um vídeo pro meu canal no YouTube e a minha mãe não queria nem ver e ficou longe. Quando já estávamos terminando ela resolveu dar o ar da graça. Foi só olhar como estava que ela começou a chorar, perguntando se eu tava preparada pra escutar as pessoas falando do meu cabelo. Ela chorava olhando pro cabelo no chão e eu só sabia rir de alegria por me libertar daquelas pontas esticadas. Depois que penteei e finalizei, ele encolheu muito e minha mãe vinha toda hora tentar “ajeitar”. Era nítido que ela estava incomodada, mas não por ela: pelo que eu poderia sofrer por causa da minha decisão.

O apoio é muito importante, mas precisamos entender que cada um tem o seu momento, sua história, seus traumas, desejos e necessidades. Não podemos viver à sombra de um padrão de beleza imposto pelos outros. Se você está bem com isso, por que não assumir o seu cabelo natural? Se sua mãe não te apoia e não consegue entender seus argumentos, toca o barco e mostra como ela tá equivocada. Você vai, sim, ser feliz com a sua escolha!

Eu não me arrependo, mas devo confessar que sofri, sim, com pessoas fazendo comentários maldosos. Meu próprio irmão disse que eu estava feia, que não deveria ter cortado etc. Eu senti com ele ter encolhido tanto por ser crespo, mas também estou amando ver o meu cabelo natural, forte, com brilho e cheio de cachinhos. Me sinto livre! Só me arrependo de ter demorado tanto pra assumir meus cachos!"

Vivi Samers, 26 anos
Belo Horizonte - MG

A Vivi não foi a única que teve uns probleminhas em casa na época da transição: a mãe da Mayara disse que ela seria expulsa de casa se fizesse o big chop... e ela fez

Publicado por: Ariel Cristina Borges 

Publicado em: Quarta-feira 10 de janeiro de 2018 - 17h19

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