Larguei uma carreira de MODELO padrão vestindo 36 pra ser muito mais FELIZ no 42: eu tinha MEDO de ver comida

“Eu sempre quis vestir 36 (38 no máximo), porque é o que a gente vê na mídia, né? É o que as modelos vestem, é o que é colocado como “ideal” e “saudável”... A sociedade é completamente obcecada com a magreza - essa é a cultura que vivemos. Tudo é “perca peso rápido”. Então toda a minha adolescência eu caí nessa.

Sempre me falaram que eu deveria ser modelo e eu também sempre tive essa vontade - não vou mentir. Mas até então nunca tinha rolado: sempre tinha algum problema, me falaram que eu era gorda... Aí uma vez, quando eu já tava na faculdade e já tinha desencanado total dessa história, me encontraram. Uma pessoa me abordou na rua e falou “ah, você quer ser modelo?”. Quase que eu falei “tá louca? Eu sou muito grande pra ser modelo” rs (tinha voltado de um intercâmbio na Alemanha e tava vestindo uns 42). Enfim, conheci a minha agência, fiz e peguei meu primeiro trabalho (todo mundo tinha ficado meio abismado, porque eu era maior)... Trabalhei com pessoas muito boas, mas a indústria realmente pede pra gente vestir 36, então eu tinha que entrar naquele padrão.

Quando eu comecei a modelar, eu já me achava gorda (como eu disse antes, sempre quis ser mais magra). Eu não tava super encanada com meu corpo (vivia e comia bem), mas, se viesse uma fada madrinha e dissesse “você quer emagrecer?”, eu ia agradecer a Deus e falar “me deixa com 36” rs. Quando o pessoal da agência falou “se você emagrecer vai ter uma carreira boa” e eu percebi que isso era verdade, aí todas as minhas noias foram validadas - foi quando isso começou a virar um problema, porque comecei a ver o meu corpo como um obstáculo pros meus sonhos, já que envolvia carreira, dinheiro, reputação…. Eu pensei “vou dar um jeito de emagrecer”, mas eu nunca imaginei que eu ia ter algum problema com isso.

Morei sozinha em Nova Iorque e em Paris. A pressão é muito grande e, praticamente, toda modelo passa por isso. É óbvio que tem meninas que são naturalmente bem magras, mas é um padrão muito rígido. Você tem que tá sempre se controlando. Bem, eu comecei a pegar uns trabalhos muito legais, alcançar coisas na minha carreira que eu nem sonhava muito e tava chegando num patamar bacana - mas aí eu falei: “gente, eu não sou feliz!”. Eu não podia sair, tinha medo da comida (era completamente apavorada com ela), deixei de fazer muita coisa por causa disso, fazia exercício por não sei quantas horas, tomava um monte de remédio… Parei pra pensar: “Tá, eu sei porque eu to fazendo tudo isso, mas vale a pena? Eu já conquistei tanta coisa e eu não sou mais feliz”. Eu amava a minha carreira e não tinha nada contra ser modelo (até porque sou até hoje. Eu AMO modelar!), mas não tava valendo a pena. Decidi ficar um ano cuidando da minha saúde. Comecei a fazer terapia, acompanhamento com uma nutricionista, comecei a ouvir meu corpo… Foi maravilhoso! Comecei a ver beleza em mim mesma - uma coisa que eu não via mais. Me olhava no espelho e dizia “menina do céu, é você! Se valoriza!”.

  • Pra manter o manequim que sempre sonhou, a Nathalia acabou tendo medo da comida

    Pra manter o manequim que sempre sonhou, a Nathalia acabou tendo medo da comida

  • A Nathalia tava no auge da carreira, vestindo 36, mas não tava feliz :(

    A Nathalia tava no auge da carreira, vestindo 36, mas não tava feliz :(

  • Agora ela continua trabalhando como modelo de sucesso, mas num outro segmento da carreira

    Agora ela continua trabalhando como modelo de sucesso, mas num outro segmento da carreira

  • "Ir nos trabalhos sem ter que ter que usar meus ângulos mais magros... foi muito libertador"

    "Ir nos trabalhos sem ter que ter que usar meus ângulos mais magros... foi muito libertador"

  • Ela fez um canal no YouTube com outras modelos pra passar a mensagem de autoaceitação que encontrou

    Ela fez um canal no YouTube com outras modelos pra passar a mensagem de autoaceitação que encontrou

  • Pra manter o manequim que sempre sonhou, a Nathalia acabou tendo medo da comida
  • A Nathalia tava no auge da carreira, vestindo 36, mas não tava feliz :(
  • Agora ela continua trabalhando como modelo de sucesso, mas num outro segmento da carreira
  • "Ir nos trabalhos sem ter que ter que usar meus ângulos mais magros... foi muito libertador"
  • Ela fez um canal no YouTube com outras modelos pra passar a mensagem de autoaceitação que encontrou

A minha agência da época foi muito legal. Eles me deram um apoio muito grande, ficaram comigo quando eu ainda vestia 38 e meio que já tinha parado de receber trabalho (os clientes de moda já não queriam me contratar). Eles sempre falaram “se cuida e a gente dá um jeito”. Chegou um ponto que eu pensei em parar de ser modelo e fazer outra coisa da minha vida - mas eu tava me achando tão linda como eu não me achava há muito tempo! Seria um desperdício haha. Aí fui procurar uma outra agência que tivesse trabalho pra mim. Foi quando eu descobri um mundo novo: o universo plus size foi uma coisa que eu não sabia que existia. Entrei numa agência e uma coisa que eu nunca vou esquecer foi quando mediram meu quadril. Eles me mediram e eu tava com 107 cm. Pras modelos tradicionais, isso é gigante (tem que ter no máximo, estourando, 92 cm!), mas eles viraram e falaram “perfeito”! Foi uma libertação. Ir nos trabalhos sem ter que usar meus ângulos mais magros, fazer foto agora só pensando no ângulo mais bonito… foi muito libertador! Eu tava na agência certa pro meu corpo naquele momento.

No geral, não me incomodo mais com o meu corpo - pelo contrário, adoro rs. O que eu acho mais louco é que as coisas que mais odiava, são as que mais gosto agora (como o meu quadril, que acho que deixa o meu corpo mais feminino). Mas é claro: todo mundo tem insegurança! Hoje em dia agradeço que tenho um corpo saudável, que caminha, que corre, que faz exercícios e que me proporciona uma vida ativa - acho que coisa mais linda que isso não existe!

O canal no YouTube, que eu criei com duas amigas pra dar força pras meninas, começou assim: eu já tava fazendo parte do segmento de modelo “curvy” (que fica entre o tradicional e o plus size) e de outros projetos - tava super animada em passar a minha mensagem de aceitação. Aí eu lembrei que uma das minhas amigas, a Luma Grothe, já tinha comentado comigo um tempo atrás que tinha passado por bullying e coisas na escola. Pensei “imagina se uma adolescente ouvir isso dela? Que mesmo uma mulher que tá na Victoria’s Secrets passou por inseguranças e todos nós somos assim, temos as nossas imperfeições e medos?”. Nisso eu já tava pensando no projeto “Todas Juntas”, que era um papo entre mulheres pra falarem sobre suas verdades, inseguranças e barreiras que tenham passado. Liguei pra Luma e começamos a projetar tudo com a Fabi, que também era minha amiga.

O que mudou a minha vida foi ver exemplos de mulheres que estavam bem, se sentindo confortáveis e com tipos de corpos DIFERENTES - ou seja, não quer dizer que exista um tipo de corpo CERTO. A gente tem que aprender, como mulheres, a ouvir a nossa própria voz! Olhar pra si mesma com a liberdade de que a nossa opinião importa - acho que isso é a base pra cura de um problema de imagem corporal.”

Nathalia Novaes @natenovaes - 26 anos

Nova Iorque, EUA.

Quem tem uma vida corrida igual à da Nathalia, sabe que - às vezes - não dá tempo de tratar dos fios como eles merecem. Mas e se a gente te dissesse que dá pra deixar eles hidratados em poucos minutos? Dá só uma olhada nessas 4 dicas pra cuidar da cabeleira rapidinho e manter as madeixas sempre lindas!

Publicado em: Sábado 13 de maio de 2017 - 16h08

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