Já perdi vaga de emprego pela COR do meu cabelo e disseram que, se me contratassem, eu TERIA que pintar

"Já faz quase 10 anos que eu pintei o cabelo pela primeira vez. Na época, meu namorado me incentivou na mudança e ele mesmo fez todo o processo de descolorir e pintar de vermelho, já que, naturalmente, eu tenho cabelo castanho. Hoje em dia, eu uso ele com um tom roxo puxado pro vinho que fica quase preto no escuro, mas na luz ou no sol fica roxo. Me identifico muito mais com essas cores de cabelo do que com a minha natural, mas depois que eu fiquei desempregada, percebi que as cores que eu escolhi estavam me atrapalhando a conseguir um emprego novo.

  • Depois do vermelho, a Fabi passou pra esse tom de vinho que fica meio roxo na claridade

    Depois do vermelho, a Fabi passou pra esse tom de vinho que fica meio roxo na claridade

  • Com pouca luz, o cabelo dela fica quase preto

    Com pouca luz, o cabelo dela fica quase preto

  • Olhando assim é difícil de acreditar, mas o cabelo da Fabiana é naturalmente castanho

    Olhando assim é difícil de acreditar, mas o cabelo da Fabiana é naturalmente castanho

  • O preconceito existe, mas a Fabi continua arrasando com a cor de cabelo que faz com que ela se sinta linda!

    O preconceito existe, mas a Fabi continua arrasando com a cor de cabelo que faz com que ela se sinta linda!

  • Depois do vermelho, a Fabi passou pra esse tom de vinho que fica meio roxo na claridade
  • Com pouca luz, o cabelo dela fica quase preto
  • Olhando assim é difícil de acreditar, mas o cabelo da Fabiana é naturalmente castanho
  • O preconceito existe, mas a Fabi continua arrasando com a cor de cabelo que faz com que ela se sinta linda!

No início de 2014, quando voltei a ir a várias entrevistas de emprego, percebi que o cabelo podia estar me atrapalhando a ser efetivada. Passei o mês de janeiro todo com mais de uma entrevista por semana e não tive retorno nenhum. Na época, eu estava com um tom de vermelho bem aberto no cabelo, então resolvi escurecer pra ver se ajudava. Foi quando coloquei o tom de roxo puxado pro vinho que uso hoje e, mesmo depois disso, fui fazer entrevista para recepcionista de um spa e ouvi que meu cabelo me dava um estilo bem radical, que era diferente. Também não houve retorno nem pra dizer que eu não havia passado no processo seletivo.

E essa não foi a primeira vez que uma entrevistadora deixou claro que a razão pra eu não ser contratada era o meu cabelo. Já fiz entrevista pra vendedora de uma loja num shopping da zona sul de São Paulo e, no meio da conversa, a selecionadora me falou que eu tinha uma boa experiência, mas que, se ela me contratasse, eu teria que mudar a cor. Ela disse que o problema era que seria muito impactante pros clientes serem atendidos por alguém com cabelo tão radical. Ela continuou falando que algumas pessoas poderiam se recusar a serem atendidas por mim e que não podia colocar o gosto dela em questão na hora de contratar (disse ela que, particularmente, gostava da cor do meu cabelo).

Acho que é muita discriminação não ser contratada por usar um cabelo diferente do padrão [assim como a Iasmim, que já perdeu uma vaga INCRÍVEL por ser mulher]. Isso não me faz uma pessoa com menos qualidades do que as outras. Já passei por seleções com outros candidatos que estavam totalmente fora do padrão de uma entrevista e acabei perdendo pra eles porque o meu cabelo chamaria mais atenção do que a forma como eles foram. Minha esperança pro futuro é que eu não seja mais discriminada por causa da cor do meu cabelo. Que eu possa fazer uma faculdade de administração, recursos humanos ou qualquer outra posição e não encontre barreiras pra atuar na área." 

Fabiana Lopes, 31 anos
São Paulo

Publicado em: Sábado 13 de maio de 2017 - 16h08

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