Já perdi vaga de emprego numa multinacional por ser mulher, mas não desisto do TI

A gente já tá cansada de saber que, infelizmente, a mulherada ainda é bem discriminada no mercado de trabalho, né? Além da gente ganhar salários menores que os dos nossos colegas homens que fazem a MESMA coisa, ainda tem umas profissões que, pra gente exercer, vamo precisar engolir muito sapo - tipo a Dani, que é mecânica e conserta carros melhor que muito marmanjo por aí! A Iasmim conhece bem essa história: ela trabalha com TI, uma área totalmente dominada por homens, e contou pra gente como é estar nesse meio!

“Quando fui me matricular na escola, no ensino médio, eu tinha a opção de estudar o conteúdo tradicional junto com um preparatório pro vestibular ou com curso técnico de informática ou eletrônica. Como queria conseguir logo um emprego assim que me formasse, escolhi o técnico. Fui cheia de frio na barriga, porque não tinha certeza e não sabia se ia dar certo, mas me encontrei na informática. Durante os anos, o que me motivou foi que acabei tendo mais facilidade com as matérias do técnico do que com as normais e, hoje, amo tudo isso!

A Iasmim já passou por uns apertos, mas ó: vale a pena quando você faz o que gosta!

As pessoas ainda se assustam quando eu falo que trabalho com TI! Perguntam 'como assim, uma menina do seu tamanho, com essa carinha de 15 anos, trabalha no meio de um monte de marmanjo?'. Quando ouço isso, mesmo sabendo que nem todos falam na maldade, me sinto quase um extraterrestre. TI é uma área como outra qualquer!

Uma vez, fiz uma entrevista de emprego pra uma multinacional e fui indicada por um amigo que trabalhava lá. Estava super ansiosa e queria muito entrar. A primeira fase foi tranquila, com a menina do RH. Depois me chamaram pra uma entrevista com os gestores da área e, enquanto um era super gente boa, o outro não era tão amigável nem educado. Ele já foi logo dizendo que eu não me adaptaria porque o ar condicionado era muito gelado, que tinham lugares altos demais pra eu alcançar, que era um lugar muito dinâmico e responsabilidade demais pra deixar na minha mão. Na hora eu só consegui encarar ele, respirar e dizer: ‘tudo isso que você disse dá pra dar um jeito, né? Eu tenho casaco, responsabilidade também, caso queira consigo uma carta de referência e, quanto à altura, acredito que seja um problema pra mais gente aqui, né?’, já que nem todos os funcionários eram altos. No fim das contas, não passei no processo, mas foi melhor porque, provavelmente, arrumaria um problema com ele.

Ser mulher também me faz passar por outras situações ruins, como o assédio. Na maior parte das vezes eu ignoro, mas nem sempre dá. Uma vez sofri assédio do meu supervisor e não podia falar nada, porque ele era o tipo de pessoa que todo mundo gostava na empresa (a esposa dele também trabalhava lá). Graças a Deus saí de lá logo depois, mas não consegui falar nada sobre aquilo por um tempo, nem com uma amiga que trabalhou lá comigo, fiquei extremamente constrangida e me sentindo mal.

Mas apesar de tudo isso, sempre me dei muito bem com todas as equipes que integrei… tenho amigos e amigas que vou levar pra vida! A minha rotina de trabalho costuma ser agitada, tem dias que não dá tempo nem de sentar e abrir os emails, mas eu gosto dessa correria. E isso de diminuir as mulheres é uma mudança que está acontecendo, ainda que devagar, mas está! Não estamos aqui para dizer mulher é superior ao homem ou vice e versa, isso é ridículo, cada um tem seu valor, estamos aqui para melhorar, evoluir, todos juntos!"

Iasmim Moreira, 22 anos

Rio de Janeiro

Não importa a área em que você trabalha: ter um kit SOS com produtinhos de beleza na firma é sempre beeem útil! Dá uma olhada nas dicas que as nossas migas do Instagram deram pra montar o seu! 

Publicado em: Terça-feira 11 de Outubro de 2016 - 16h32

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