Histórias de uma PM: perdi meu marido e colega de farda - sabia dessa sina, mas nosso filho tinha só 6 meses

"Eu resolvi entrar pra PM porque o meu tio era policial militar e eu sempre tive vontade de ser o mesmo, mas minha mãe me impedia. Então, quando eu estava mais madura, vi que ia abrir o concurso pra PM e resolvi fazer a prova pra levar a minha vocação em diante. Eu fiz a prova meio escondida em 2009 e, graças a Deus, passei e me senti a pessoa mais realizada do mundo. Depois do resultado, a minha família super me apoiou, deu super certo.

A rotina de um policial militar é muito pesada. Os serviços, geralmente, são de no minimo, 12 horas e, no máximo, 24. Só que: nessas 24 horas, se você pega uma ocorrência ou se tá num serviço extra, tipo ano novo e carnaval, passa do tempo e às vezes você fica 26, 30 horas na rua direto. O que eu mais gostava na minha rotina quando trabalhava na rua era da adrenalina de ir atrás, tentar descobrir onde eram os esconderijos na área da UPP [Unidade de Polícia Pacificadora, no Rio de Janeiro]… era o que eu mais gostava. Hoje em dia, como eu tô no serviço burocrático, o que eu mais gosto são as amizades que eu faço lá dentro e de poder ajudar as pessoas. Na administração da Polícia, eu tenho a oportunidade de ajudar os policiais da rua sabendo como é estar no lugar deles.

O Bernardo é essa coisinha absurdamente apertável que tá na foto com a Larissa <3

Foi na Polícia que eu conheci meu ex-marido. Nós ficamos amigos logo de cara, no primeiro serviço que fizemos juntos, em 2011. Quando foi em 2014 a gente viu que não era só amizade e resolvemos ficar juntos. A gente não tinha medo de morrer, mas nos cuidávamos, óbvio. Sabíamos que essa era uma realidade que convivia constantemente com a gente. Conversávamos bastante sobre como ficaria a vida se isso acontecesse, o que o outro faria... Há alguns meses, no finalzinho da gestação do nosso filho, ele tinha sonhado que ia morrer... faleceu exatamente da forma que ele sonhou naquele dia.

Ele estava com o primo e um amigo comendo numa lanchonete, fora de serviço e o local foi assaltado. Eu perdi a pessoa que, até então, era o meu norte. A gente tinha planos pro futuro, toda uma vida, nosso filho tinha só seis meses. Ele tinha desejado tanto e queria tanto ter visto o Bernardo crescer… é muito triste. Hoje em dia eu já consigo falar tranquilamente, consigo não chorar porque sei que a vontade de Deus foi feita, mas na época foi bem complicado.

Eu até acredito que ele tenha aceitado esse destino pra ele, porque passou os meses seguintes ao sonho me preparando praquilo, tentando me confortar de algum jeito, me falando que isso ia acontecer. Infelizmente, nós policiais militares temos isso como uma sina. É quase o destino que todos nós esperamos. Quando aconteceu eu nem fiquei tão surpresa, logo lembrei dos meses que ele passou me falando que isso ia acontecer. É tão real que, quando um policial dá adeus por causas naturais, por uma doença, isso causa até estranheza no nosso meio. Porque, te falando sinceramente, pra gente não existe outra realidade que não seja essa.

Eu me recuperei porque tive muito apoio da minha família, dos meus amigos... Teve gente pra me acompanhar, pra estar na minha casa me ajudando com as crianças em todas as pendências que eu tive que resolver. Meu irmão veio morar comigo por um tempo pra ficar mais perto… e eu tinha meu filho por quem lutar [só quem é mãe entende]. Graças a Deus eu tive muita gente do meu lado.

Larissa Rocha, 33 anos
Rio de Janeiro

Por baixo da farda, a Larissa tá sempre com um coque e prender cabelo todo dia cês sabem como é, né? Quebra bastante. Dá uma olhada nessa lista que a gente preparou só com erros que fazem o cabelo quebrar.

Publicado em: Sexta-feira 19 de maio de 2017 - 17h17

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