Desistir da faculdade foi a coisa mais difícil que já fiz, mas valeu a pena

"Eu tinha acabado de completar 16 anos quando saí no listão da Universidade Federal do Pará. Mesmo que eu tivesse escolhido, no ensino médio, cursar Arquitetura pela facilidade que tinha com a arte e por ter estudado um pouco sobre Oscar Niemeyer, fui orientada pela minha mãe a cursar Engenharia. Ela me dizia que o curso de Arquitetura em Belém, onde moramos, tem um mercado complicado e que Engenharia Civil me daria mais oportunidades no mercado de trabalho. Por isso, mudei de ideia. Além do mais, na época, minha prioridade era fazer a minha mãe feliz. Comecei a me preparar para esse vestibular no primeiro ano do ensino médio, quando eu ainda tinha 14 anos. Li muitos livros, me dediquei a aprender matemática, fiz o curso específico de redação da minha mãe, que é um dos melhores da cidade e assistia a diversas vídeo-aulas e documentários antes de dormir.

O ano de 2016 foi repleto de altos e baixos. Estava muito feliz no começo da faculdade. Minha mãe e todos ao meu redor ficaram muito contentes por mim e isso me deu um gás imenso para continuar e ter fé no melhor. Entrei na turma do segundo semestre, que começou em Outubro, e tive quase um ano de espera pelas aulas, mas coisas ficaram ruins mesmo quando comecei a frequentar o curso. Foi uma frustração geral relacionada à grade curricular que não me agradou (ali descobri mesmo que eu era da área de "Humanas", como dizem). Era massante estar em um local indesejado e pensar no futuro; era massante saber que eu estava presa a um destino que não era meu; era massante imaginar em magoar minha família, acima de tudo.

Sair da faculdade foi a decisão mais difícil que tomei até hoje. O processo de contar à minha mãe e não saber muito bem que passo tomar foi agonizante. Ela não aceitou e entramos em um combate imenso. Fui punida psicologicamente de todas as formas durante um ano. Tive o apoio de amigos e parentes, mas a única pessoa que precisava ficar ao meu lado foi negligente, e minha mãe sabe, hoje, que isso foi real e se desculpa pelo ocorrido. Voltar ao cursinho foi doloroso. Rever matérias, rever professores, reviver a pressão... 2017 foi difícil. Precisei relembrar conceitos, fórmulas, estudar novamente teorias e isso foi bem complicado.

  • Ter passado pra faculdade de Engenharia Civil deixou toda a família da Karen numa empolgação gigante

    Ter passado pra faculdade de Engenharia Civil deixou toda a família da Karen numa empolgação gigante

  • A Karen ficou SUPER orgulhosa - e não era pra menos: era o primeiro vestibular e um curso super concorrido

    A Karen ficou SUPER orgulhosa - e não era pra menos: era o primeiro vestibular e um curso super concorrido

  • O problema é que quando chegou lá, a Karen percebeu que Engenharia não tinha nada a ver com ela

    O problema é que quando chegou lá, a Karen percebeu que Engenharia não tinha nada a ver com ela

  • Depois de um ano na Engenharia e de desenvolver um quadro de depressão por conta disso, a Karen desistiu, voltou pro cursinho e, em 2018, virou caloura de novo

    Depois de um ano na Engenharia e de desenvolver um quadro de depressão por conta disso, a Karen desistiu, voltou pro cursinho e, em 2018, virou caloura de novo

  • Dessa vez ela tá feliz e vai cursar Direito na Uiversidade Federal da Paraíba, em João Pessoa: uma linda, né?

    Dessa vez ela tá feliz e vai cursar Direito na Uiversidade Federal da Paraíba, em João Pessoa: uma linda, né?

  • Ter passado pra faculdade de Engenharia Civil deixou toda a família da Karen numa empolgação gigante
  • A Karen ficou SUPER orgulhosa - e não era pra menos: era o primeiro vestibular e um curso super concorrido
  • O problema é que quando chegou lá, a Karen percebeu que Engenharia não tinha nada a ver com ela
  • Depois de um ano na Engenharia e de desenvolver um quadro de depressão por conta disso, a Karen desistiu, voltou pro cursinho e, em 2018, virou caloura de novo
  • Dessa vez ela tá feliz e vai cursar Direito na Uiversidade Federal da Paraíba, em João Pessoa: uma linda, né?

Se eu não tivesse colocado minha saúde mental em primeiro lugar, talvez nem estivesse aqui. Em um ano envelheci 10 anos, e fui forte sozinha. Chorei, tentei suicídio, saí de casa algumas vezes e quis desistir. Pensar em voltar a cursar um curso indesejado me parecia menos doloroso do que erguer meu próprio psicológico em ruínas. Mas aprendi a me estruturar. Sempre que tinha crises e brigas dolorosas com minha mãe pensava no melhor. Pensar positivo ajuda muito, e isso é científico. Sentar na cama e repetir que 'vai ficar tudo bem' inúmeras vezes é uma saída não somente comprovada pela neurociência como também uma fuga de alma. Deu certo em todas as vezes.

A preparação para o segundo vestibular foi imensamente diferente. Eu não me dediquei tanto, não estudei nem 30% em comparação à última vez. Prometi a mim que daria meu tempo maior ao meu corpo e mente. Saí com amigos, fiz todos os lazeres que me agradavam e lutei contra os meus monstros. Estudar ficou em segundo plano porque foi necessário. A vida pra mim foi prioridade. Pesou mais na balança e eu tive que encarar isso de frente.

Quando saiu o resultado do vestibular e eu vi que tinha sido classificada para o curso de Direito, na Universidade Federal da Paraíba, senti alívio. Tinha medo de não passar. Pensar que o caminho que trilhei foi recompensado no fim da estrada foi o máximo. Sempre quis estudar fora e eu sabia que precisava ter a experiência de morar sozinha e ter responsabilidades. Então, quando li meu nome, abaixei a cabeça e vi um futuro lindo.

Ando tão ansiosa para começar que não me contento em não pesquisar tudo sobre a nova cidade, nova universidade, novas oportunidades. Dedico o dia inteiro a isso. Já quero montar meu apê, ter problemas com as contas e dificuldades com a faculdade (kkk). Para quem tem o mesmo desejo que eu tinha, de trocar de curso na faculdade, mas não tem coragem, eu só posso dizer que a forma mais bonita de ser feliz é encontrar o bem estar que independe de uma segunda ou terceira pessoa. Ser feliz é ter a própria certeza. Tomar um atitude como essa é pensar em si mesmo e ter a consciência de que isso não significa ser egoísta, porque quem te ama também ama a tua felicidade. O segredo é encarar mesmo e ir em frente, arriscar tudo e ter a si mesmo sempre em primeiro plano, além de pensar no melhor todos os dias. 'Vai dar certo' deve ser um mantra". 

Karen Vieira, 19 anos
Belém - PA (em breve, João Pessoa - PB)

A Karen tomou uma das decisões mais difíceis da vida dela depois de perceber que não podia mais continuar onde estava. Isso também costuma acontecer (numa escala menor), com a mulherada que quer passar pela transição capilar: vem saber mais sobre o que é esse processo antes de se decidir!

Publicado por: Ariel Cristina Borges

Publicado em: Sexta-feira 02 de fevereiro de 2018 - 18h34

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