"Meu estilo de ser e me vestir mudou completamente depois da transição capilar"

"Eu comecei a transição por diversos motivos. Eu morava numa república já fazia um tempo e, além de estar longe da minha cabeleireira, todo o dinheiro que que ganhava era investido no projeto morar sozinha. Eu não tinha mais tempo nem dinheiro para gastar com o cabelo, então comecei a fazer umas escovas levinhas em casa mesmo. Em segundo lugar, nessa república eu morava com 17 outras meninas, dentre as quais pelo menos 12 também faziam escova e chapinha: não tinha tomada pra todo mundo na hora de se arrumar pra sair de casa e também não tinha ar condicionado pra fazer os processos numa boa. Da última vez que fiz prancha e meu cabelo se desfez com a primeira gota de suor, me senti horrível. As escovas caseiras não surtiam efeito, eu tava muito insatisfeita. Foi aí que eu comecei a pensar no quão mais fácil seria se eu não precisasse me arrumar toda e ver meu trabalho desfeito em segundos. Eu estava de férias, sem coragem de fazer prancha, era época de Copa e o David Luiz estava correndo de cabelo solto no campo - todo suado - e os cachos dele estavam lá firmes e fortes hahaha. Foi aí que eu comecei a procurar sobre como recuperar os cachos. 

No quesito estilo eu sempre tive muito medo de ousar. Nunca usava salto e, quando usava, me sentia deslocada por já ser alta. Hoje, além da altura, ainda tem o cabelo que chama uma super atenção, mas eu me sinto infinitamente mais segura. Antes de alisar e mesmo quando eu fazia escova, o medo do volume do cabelo chamar atenção era enorme, então a tendência era apostar em roupas básicas, rasteirinha, brincos miudinhos, cordões delicados. Hoje isso não acontece mais. 

Mais ou menos uns três anos se passaram de uma foto pra outra, mas o que parece MESMO é que a Natascha nasceu de novo, né?

As pessoas reparam bastante isso também, porque a mudança é meio que de dentro pra fora. Muita gente na faculdade diz que a minha postura e o meu olhar mudaram. Antes eu vivia encolhida, a minha postura era muito fechada, como se eu estivesse tentando me esconder. Todo mundo que me conheceu antes fala disso. O fato de eu aceitar meu cabelo mudou a forma como eu me comporto, me enxergo e como os outros me enxergam também, isso é bem legal. Hoje eu sou muito mais confiante não só quanto à minha aparência, mas em diversas áreas da minha vida também. Sinto que nesses dois anos eu cresci um monte e passei a me conhecer muito melhor. 

Não é fácil crescer num mundo onde todas as pessoas e propagandas ao seu redor dão a entender que o seu cabelo é errado, então foi um processo muito doloroso - porém libertador - passar pelo período de aceitação, a transição... parece que foi necessário passar por isso tudo pra eu finalmente entender que não preciso me encaixar num padrão imposto. Isso é empoderador demais."

Natascha Oliveira, 21 anos.

Rio de Janeiro.

Publicado em: Terça-feira 09 de agosto de 2016 - 18h37

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